• Fabio Madruga
  • Fabio Madruga

Entre o Tejo e o Guadiana

Pedalando através das paisagens e das baluartes entre o Tejo e o Guadiana. Läs mer
  • Alcobaça

    27–29 sep. 2022, Portugal ⋅ ☀️ 13 °C

    Entre duas cidades diferentes há dois mosteiros, separados por 20 km e ambos reconhecidos como patrimônios da humanidade. Depois de me deslumbrar com o impressionante Mosteiro da Batalha, tinha certeza de que também iria me encantar pelo Real Mosteiro de Santa Maria, o Mosteiro de Alcobaça. A decisão de construir o mosteiro surgiu da necessidade do rei Afonso Henriques de consolidar o reino português. À medida que conquistava territórios dos mouros, o rei doava grande parte dessas terras para estimular o surgimento de novos povoados; assim a região entre os rios Alcoa e Baça foi entregue aos monges brancos, pertencentes à ordem católica de Cister. As obras iniciaram-se em 1178, prolongou-se por quase um século e representou o primeiro projeto arquitetônico gótico no recém-formado país. Ao visitar o mosteiro, fiquei impressionado com a atenção aos detalhes, algo que me emocionou profundamente e quase deixei de ser ateu. O local preserva uma peculiaridade relacionada aos túmulos do rei Pedro I e de sua esposa, Inês de Castro. Em 1340 o príncipe herdeiro Pedro casou-se com a princesa castelhana Constança Manuel, porém, posteriormente, envolveu-se com Inês de Castro, uma criada da corte de sua esposa. Com o nascimento de filhos desse relacionamento e a morte de Constança, o rei de Portugal, Afonso IV, temeu possível influência da família de Inês na sucessão do trono e determinou sua execução em 1355. Após a morte do rei Afonso IV, em 1357, Pedro I assumiu o trono, declarou que havia se casado em segredo com Inês e decretou sua coroação póstuma, além da construção de dois túmulos no Mosteiro de Alcobaça. Os túmulos, verdadeiras obras de arte manuelinas esculpidas em calcário e adornadas por detalhes religiosos e alusivos a suas vidas, permanece um mistério a autoria.Läs mer

  • Nazaré

    29 sep.–1 okt. 2022, Portugal ⋅ ☁️ 17 °C

    Ah, o mar! Amar o mar é o que há! Uma vez mais, mais mar, onde repousa meu lar, meu ar, cá quero fincar, não há como entediar! A cicloviagem trouxe-me novamente para o litoral, chegava à cidade costeira de Nazaré, famosa pelas ondas gigantes e pela tola lenda que deu nome à cidade. Segundo relato u̶m̶a̶ ̶e̶s̶t̶ó̶r̶i̶a̶ ̶b̶o̶b̶a̶ ̶p̶a̶r̶a̶ ̶e̶m̶b̶a̶l̶a̶r̶ ̶c̶r̶i̶a̶n̶ç̶a̶s o cavaleiro Ruas Folpinho caçava em meio a um denso nevoeiro quando avistou um veado e passou a persegui-lo, logo que se viu diante de um precipício, e ao clamar pela Virgem Maria, foi salvo milagrosamente. Em agradecimento, ao retornar ao vilarejo, ordenou que fosse construída a Capela da Memória no topo do penhasco onde tudo havia acontecido. A cidade é reconhecida internacionalmente como a capital do surf, detendo o recorde da maior onda já surfada na Praia do Norte pelo surfista norte-americano Garrett McNamara, em 2011, com incríveis 30 metros. Além disso, a figura lendária do veado tornou-se u̶m̶ ̶s̶u̶r̶f̶i̶s̶t̶a̶ ̶h̶i̶p̶p̶i̶e̶ ̶m̶a̶r̶o̶m̶b̶a̶d̶o uma enorme estátua de um surfista, com uma prancha, contemplando o mar — criação de Adália Alberto em 2016.Läs mer

  • São Martinho do Porto

    1–2 okt. 2022, Portugal ⋅ ☀️ 19 °C

    Prosseguindo pelo litoral, parei na aconchegante freguesia de São Martinho do Porto, ainda em Alcobaça. Trata-se de uma pequena vila de pescadores, caracterizada pela ausência de atrativos marcantes ou lendas que atraiam curiosos, acentuada pelo pacato mar, sem ondas e nem surfistas. Passei a tarde em solitude, apenas viajando em meus próprios pensamentos, buscando novas interpretações e distintas experiências. No fim do dia, armei a minha barraca e permaneci furtivo atento a presença de insetos estrondosos que tentavam me afastar da minha serenidade.Läs mer

  • Óbidos

    2–3 okt. 2022, Portugal ⋅ ☀️ 16 °C

    Pedalando pela costa em direção a Peniche, fui obrigado a contornar a Lagoa de Óbidos, o que me levou a explorar a pequena vila cidadela homônima. Primeiro, visitei o formidável Santuário do Senhor Jesus da Pedra, erguido entre 1740 e 1764 em estilo barroco, homenageando São Tomás. Adiante, atravessei o portal da cidadela e subi as escadas, percorrendo um estreito caminho junto às muralhas, de onde pude apreciar o visual harmonioso da vila com a região montanhosa ao fundo. Na parte mais elevada situa-se o Castelo de Óbidos — o cartão postal local, erguido no século 12 em três estilos arquitetônicos: românico, manuelino e barroco, servindo à defesa contra os mouros.Läs mer

  • Peniche

    3–6 okt. 2022, Portugal ⋅ ☀️ 17 °C

    O percurso entre Óbidos e Peniche é feito quase todo pela rodovia N114, que não dispões de ciclovias ou acostamentos, tornando o deslocamento desafiador. Na primeira oportunidade, desviei à direita, passando pelas pequenas freguesias de Serra d'El-Rei e Ferrel, chegando em Peniche pela costa, onde a proximidade das dunas com a estrada e o mar forma uma paisagem recompensadora! A cidade equilibra harmoniosamente seu patrimônio natural com o cultural, oferecendo uma interessante diversidade de atrativos, e, ainda, é relevante destacar o sítio arqueológico neandertal e as ruínas do Forte da Luz, situados na Praia da Gamboa.Läs mer

  • Cascais

    6–8 okt. 2022, Portugal ⋅ ☁️ 19 °C

    Pedalei um pouco mais de 100 km, entre Peniche e Cascais — uma das maiores distâncias em um único dia dessa cicloviagem. Antes de percorrer o centro de Cascais, visitei a intrigante formação geológica conhecida como Boca do Inferno, situada em um penhasco cujas ondas do mar chocam-se violentamente. Pela proximidade com Lisboa a cidade possui diversas edificações de defesa e é um popular destino de veraneio, onde há o Palácio da Cidadela, frequentemente utilizado por chefes de estado de Portugal. O atrativo mais interessante é a cidadela, cujo interior abriga um museu de arte moderna, com exposições no mínimo extravagantes.Läs mer

  • Lisboa

    8–16 okt. 2022, Portugal ⋅ ☀️ 19 °C

    Após quase dois meses de pedal pelo interior da península, retornei à capital portuguesa. No período que estive em Lisboa, pude explorar com mais calma a miscigenação cultural e arquitetônica resultante das civilizações que historicamente habitaram e influenciaram Portugal e Espanha.
    Essa cicloviagem — a mais longa até então, comprovou distintos experimentos e ideias que havia planejado antes e durante o percurso. Mostrou o quão é simples e benéfica a relação entre pedalar, o contato com a natureza e encontrar pessoas que colidem com o meu caminho. Essa troca cultural é essencial para cultivar compreensão e felicidade; como afirmou o andarilho Chris McLandless: “A felicidade só é real quando compartilhada!”
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    Resans slut
    16 oktober 2022