Entre duas cidades diferentes há dois mosteiros, separados por 20 km e ambos reconhecidos como patrimônios da humanidade. Depois de me deslumbrar com o impressionante Mosteiro da Batalha, tinha certeza de que também iria me encantar pelo Real Mosteiro de Santa Maria, o Mosteiro de Alcobaça. A decisão de construir o mosteiro surgiu da necessidade do rei Afonso Henriques de consolidar o reino português. À medida que conquistava territórios dos mouros, o rei doava grande parte dessas terras para estimular o surgimento de novos povoados; assim a região entre os rios Alcoa e Baça foi entregue aos monges brancos, pertencentes à ordem católica de Cister. As obras iniciaram-se em 1178, prolongou-se por quase um século e representou o primeiro projeto arquitetônico gótico no recém-formado país. Ao visitar o mosteiro, fiquei impressionado com a atenção aos detalhes, algo que me emocionou profundamente e quase deixei de ser ateu. O local preserva uma peculiaridade relacionada aos túmulos do rei Pedro I e de sua esposa, Inês de Castro. Em 1340 o príncipe herdeiro Pedro casou-se com a princesa castelhana Constança Manuel, porém, posteriormente, envolveu-se com Inês de Castro, uma criada da corte de sua esposa. Com o nascimento de filhos desse relacionamento e a morte de Constança, o rei de Portugal, Afonso IV, temeu possível influência da família de Inês na sucessão do trono e determinou sua execução em 1355. Após a morte do rei Afonso IV, em 1357, Pedro I assumiu o trono, declarou que havia se casado em segredo com Inês e decretou sua coroação póstuma, além da construção de dois túmulos no Mosteiro de Alcobaça. Os túmulos, verdadeiras obras de arte manuelinas esculpidas em calcário e adornadas por detalhes religiosos e alusivos a suas vidas, permanece um mistério a autoria.Read more