• The Blue Train (Kandy to Ella)

    January 17, 2023 in Sri Lanka ⋅ ⛅ 21 °C

    Acordámos cedo para podermos chegar à estação sem correrias, apesar de ser sabermos que seria muito difícil perder o comboio uma vez que a pontualidade não é o forte neste país. Com efeito o comboio chegou meia hora depois da hora marcada.

    Tínhamos poucas expectativas para esta icónica travessia porque em todos os blogues de viagem falavam do maravilhoso que era esta viagem, das paisagens incríveis e das fotos muito instagramáveis. Como todas as grandes atrações de cada país há que moderar as expectativas para não levar desilusões. Não tendo sido tão deslumbrante como pintavam, também não nos desagradou para nada e tardou apenas 7h30m (que passaram voando) quando muitas pessoas falam em 9/10h e se há avarias, o que é frequente, 14 e 15h. O tempo também estava nublado e um pouco chuvoso o que acaba sempre por influenciar.

    Chegámos à estação de Kandy e comprámos os únicos bilhetes que haviam disponíveis, 3ª classe sem assentos reservados uma vez que os outros bilhetes já estavam esgotados à vários dias. Custou-nos 1,5€ os dois. Parece que fomos os únicos brancos que não se lembraram de comprar bilhete com antecedência. Mas não nos arrependemos porque pudemos viver como viajam os locais. Primeiro para subir ao comboio temos que nos espremer por entre as pessoas que se amontoam à entrada e não se movem um milimetro porque aí estão os melhores lugares. Como os comboios não têm portas as pessoas vão de pé ou sentadas com a cabeça de fora e com a maior sensação de liberdade e de controlo sobre a paisagem com se esta lhes pertencesse. Tanto os locais como os turistas é aí que querem estar. Entrámos na carruagem e todos os lugares bons já estavam ocupados. A Irene conseguiu um lugar sentada apertado com vistas para uma parede e eu contentei-me em ficar de pé em 3ª linha numa das portas.

    À medida que o tempo vai passando e as pessoas vão entrando e saindo, conseguimos o tão desejado lugar à porta. É bastante divertido ao princípio e realmente as vistas sobre as plantações de chá são bonitas mas na minha opinião faltou aquele toque de luz para colorir um pouco a cinzenta paisagem. Ao final de um tempo acabámos por ficar cansados e fomo-nos sentar agora que já não havia tanta gente dentro. É tão ou mais interessante observar a vida dos locais que a paisagem, ver os homens a preparar um concentrado de tabaco e especiarias para mascar, as crianças sentadas ao colo das suas mães, jovens de aspecto sonhador e velhos de olhar experiente, os vendedores de comida a passar com chamuças, fruta e doces variados. Essa experiência foi algo que não se pode apreciar de forma tão autêntica como se viajássemos em 1ª ou 2ªclasse.

    Quase ao terminar a viagem sentimos necessidade de ter uma anedota para contar para a posteridade. Parámos na penúltima estação antes de chegarmos mas eu ao olhar para o mapa achei que já tínhamos chegado ao nosso destino e fomos a correr a toda a pressa para buscar as nossas malas. Saí eu primeiro numa zona onde nem havia plantaforma para cima de umas ervas e o comboio começou a andar. A Irene, ainda dentro do comboio olhou para mim com cara paralizada sem saber o que fazer, sabendo que provavelmente nos tínhamos equivocados e que era a estação seguinte. O comboio foi ganhando velocidade durante estes segundos e por fim decide-se a saltar para não me abandonar. Para cúmulo tropeça e cai de rabo numas ervas. A situação é demasiado cómica ainda por cima quando estão várias pessoas a ver todo o show 😂
    Por sorte, o maquinista apercebe-se da situação e para o comboio para voltarmos a entrar e por fim chegamos a Ella passados 10min.

    Quando chegámos à estação, tínhamos já a mota à nossa espera e sentimo-nos afortunados por termos tomado esta decisão e fomos tranquilamente à nossa cabana nas montanhas.
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