• Cerelac e batatas fritas

    March 3, 2023 in Guinea-Bissau ⋅ 🌙 26 °C

    O Benjamim já está demasiado à vontade. Agora começou a querer fazer tudo sozinho, a esticar a corda e a fazer o que quer. O pior continua a ser a comida. Como tivemos uns dias mais difíceis e acabámos por recorrer a papas de fruta e bolachas, agora também já não quer comida salgada. Carne ou peixe é praticamente impossível conseguir que coma. Já decidimos que não há pão antes das refeições, mas também vamos ter de cortar nos sumos, que não estão a ajudar.

    Optámos por fazer a sesta bem cedo para ir almoçar a seguir, com menos birras. Mas, quando acordou, tínhamos de ir à embaixada ver dos vistos, que supostamente deviam estar prontos hoje para podermos viajar amanhã. Só para sair de casa foi uma gritaria que parecia que o mundo ia acabar. Tudo porque o menino agora só quer colo.

    Conseguimos entrar na embaixada sob o olhar desconfiado dos guardas, que nunca nos querem deixar entrar. A responsável com quem já tínhamos falado na semana anterior foi ver se o processo já tinha dado entrada. Mas, segundo ela, nem sequer tinha chegado à embaixada.

    Portanto, o pedido urgente que deu entrada na agência VFS na quarta-feira — o único sítio onde é possível tratar do visto — ainda não tinha chegado à embaixada, que fica a apenas 1 km. Na VFS também dizem que não têm o processo. Com o fim de semana pelo meio, se calhar já só para quinta-feira... mais uma semana? Por momentos, tive vontade de chorar.

    O pior é que a senhora parecia mais preocupada em fazer um diagnóstico cognitivo, auditivo e da fala ao Benji do que em tratar do visto. Tentou perceber porque é que ele não falava e até pediu a um senhor para lhe falar em crioulo, para ver se respondia. Ora, ele ainda não fala, como já lhe tinha explicado, mas isso não chegou. Continuou a testá-lo com várias perguntas para ver se reagia. Ainda nos deu uma dieta para ele engordar, porque está magrinho: principalmente papa Cerelac e batatas fritas.

    Tive de manter a postura, sorrir e, mesmo assim, tentar apelar ao lado humano dela. Se ela não fosse minimamente recetiva connosco, bem podíamos esquecer o visto. Mas as lágrimas guardei-as para quando já estávamos cá fora. Só queria sair desta cidade, que não tem nada. Nem um parque onde passear.

    Fomos almoçar ao Sweet Cultumie's e arrisquei a primeira salada desde que chegámos. Pelo meio, mais uma birra do Benji, porque queria comer todos os croutons. Depois fizemos uma pequena caminhada debaixo do sol até à esplanada do La Rosa e terminámos o dia no Papa Louca a comer uma grande pizza. E, claro... mais uma birra.
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