• Hampi

    February 5, 2023 in India ⋅ ☀️ 33 °C

    Despertamos de madrugada sobresaltados com a voz do motorista a gritar a nossa paragem ¡Hospet! uma cidade a 13km de Hampi. Rapidamente agarramos nas nossas malas antes de que parta o autocarro e saímos para o exterior ainda com ramelas nos olhos, despenteados com o ar dos loucos.
    Apanhamos um rickshaw, que já estava à espera, para nos levar à guesthouse em Hampi. Deixamos as mochilas na recepção, enquanto esperamos para a hora do check-in e vamos tomar o pequeno-almoço. Encontramos a um espanhol, que nos ouve falar e nos recomenda a provar o chai e as dosas de côco e banana daquele café que está virado para a rua. Sentamo-nos numas cadeiras de plástico e somos apresentados ao melhor té chai com leite que provámos na vida. As dosas não ficaram muito atrás. Fomos atrapados por este sítio mais duas vezes.

    Começa a nossa exploração por este exótico novo destino, considerado património da humanidade pela Unesco. Hampi é uma cidade arqueológica do séc XV, capital do antigo império de Vijayanagara. Os viajantes portugueses Duarte Barbosa, Fernão Nunes e Domingo Paes descreveram que esta cidade era de tal forma grandiosa que os seus olhos nunca haviam visto nada igual no mumdo e que o seu monarca era perfeito em todas as coisas. Desta majestosa cidade apenas resta uma pequena aldeia e as suas ruínas espalhados por inúmeros hectares. Ruínas estas não menos majestosas, compostas pelas muralhas da cidade, palácio real, templos, esculturas, jardins, estradas, mercados, tudo o necessário para habitar numa capital e como epicentro um complexo de templos e de torres que se podem observar a kms de distância. A cidade é banhada pelo rio Tungabhadra e rodeada por maciços rochosos graníticos amontonados, denominados boulders. A vegetação é típica de um clima seco e a sua fauna é variada: leopardos, ursos, crocodilos, javalis, hienas e uma grande variedade de pássaros.

    No primeiro dia visitámos alguns templos e conhecemos a um grupo de franceses, israelitas e ingleses que nos convidaram a uma excursão a umas cascatas. Este sítio tinha uma piscina natural onde nos podemos refrescar, dar uns saltos da rocha e passar a tarde em contemplação da natureza. No dia seguinte passeámos tranquilamente por outra parte da cidade, lemos à beira rio, vimos o pôr-do-sol desde um templo no topo de uma montanha e comemos comida indiana riquíssima. Na aldeia existe um ambiente relaxado, muitas lojas de roupa e artesanato, restaurantes em rooftops e zonas lounge onde se misturam novos hippies com os outros turistas.
    No terceiro dia alugámos uma mota e terminámos de ver as ruínas mais periféricas e fomos até ao outro lado do rio onde se pode encontrar a natureza mais exuberante e os campos de arroz e bananeiras. No dia em que escrevo este texto, devolvemos as mochilas à recepção do hotel e depois de revisitarmos alguns dos sítios mais emblemáticos abrigamo-nos do sol num dos nossos rooftops favoritos, estendemo-nos por horas nos colchões que estão no chão, tomamos um último sumo de fruta e almoçamos enquanto fazemos tempo para o autocarro nocturno que nos levará até à costa oeste e às famosas praias boémias de Goa.
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