Não devíamos. O dinheiro está curto e esta estadia prolongada está a dar cabo do orçamento. Mas a verdade é que já não aguentávamos ficar presos no hotel em Bissau. Decidimos passar dois dias numa ilha, em Bubaque. Uma pequena fortuna... mas vamos tentar não pensar nisso.
O transfer veio buscar-nos ao hotel, mas ainda tínhamos de levantar dinheiro. Que filme. Quase todos os multibancos do centro de Bissau estavam em manutenção. A cada banco, o Valentim saía para tentar a sorte e eu ia atrás com o Benjamim ao colo, aos gritos e a espernear, porque não consegue estar longe nem de mim nem do Valentim.
Finalmente conseguimos levantar dinheiro, com o Benjamim aos berros como se o mundo fosse acabar, e seguimos para o porto. Mais uma birra do fim do mundo, porque queria ficar ao meu colo, mas exigia que eu estivesse de pé. Claro que, depois de tanto tempo com ele ao colo e a espernear, os meus braços já não aguentavam. Tivemos de o deixar chorar, apesar dos muitos olhares reprovadores, que nesta altura já pouco me interessavam.
A viagem de barco durou quase duas horas, com o pequeno Benji a portar-se mais ou menos bem. Mas a paz durou pouco. Assim que chegámos à ilha foi uma birra atrás da outra. Ou porque me afastei dois metros, ou porque não lhe deram colo, ou porque a erva picava... ou simplesmente porque sim.
Chegámos a um sítio paradisíaco, o lodge Le Dauphin, mas confesso que, no meio de tantas birras, até me custava apreciar o que nos rodeava. O Benji viu o mar pela primeira vez, os barcos e a piscina, mas não pareceu ficar muito impressionado. Na piscina teve de estar agarrado a mim quase o tempo todo, com as unhas cravadas nas minhas costas, porque ainda não tivemos coragem de lhas cortar.
No meio disto tudo, ainda apanhei um escaldão no barco.Read more