• Be Kyan
Nov 2021 – Mar 2022

Brasil 2021/2022

A 97-day adventure by Be Read more
  • Itacaré

    January 18, 2022 in Brazil ⋅ ⛅ 25 °C

    Às 7h da manhã estávamos de pé para fazer duas horas de carro pela costa e entregar o carro em Ilhéus. Valeu a pena sofrer mais um pouco com o caminho ontem para fazer essas duas horas junto à costa. São praias lindíssimas e completamente desertas.
    Depois de Ilhéus tínhamos mais 2h de autocarro até Itacaré, onde nos íamos encontrar com a minha amiga de infância Alice.

    Passámos o resto da tarde na conversa na praia da Tiririca. Antes de jantar, vimos a lua nascer sobre o mar do terraço da nossa pousada, uma lua laranja no meio dos coqueiros a reflectir sobre o mar. Um momento mágico, quase tão bom como o pôr do sol.

    Jantámos num restaurante vegetariano, Alamaim. Na realidade entrámos no restaurante sem saber que era vegetariano, apenas que era árabe e parecia bom. Mas foi uma agradável surpresa, principalmente porque estou um pouco cansada de comer moqueca e peixe frito.

    Passámos o serão a beber vinho branco nas nossas garrafas de água e a jogar as cartas.
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  • Praia da Tiririca

    January 19, 2022 in Brazil ⋅ ⛅ 29 °C

    Sabe tão bem parar um pouco e ficar tranquilo a dormir à frente da praia, tomar o pequeno almoço a ver as ondas e os primeiros surfistas a chegar.

    Com maré vazia, conseguimos ir até a praia ao lado pela areia e tirar umas fotos.
    Almoçámos no centro da vila, fomos à lavandaria e voltámos para surfar.

    O único problema é que a praia é pequena, tem muitos surfistas e banhistas a concorrer para as mesmas ondas. Mas à medida que o sol vai se pondo as pessoas vão se embora, as cores no horizonte mudam para pastel e só não queres que esse momento acabe.

    O único problema foi que fui contra um gajo que apanhou a mesma onde que eu, levei com a quilha dele na perna e no meio disso tudo perdi uma quilha. Provavelmente porque a miúda da loja não sabia pôr quilhas. Tive que ser eu a dizer-lhe que as quilhas estavam ao contrário...
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  • Praia da Engenhoca

    January 20, 2022, South Atlantic Ocean ⋅ ⛅ 29 °C

    Quando acordámos chovia torrencialmente, o céu estava cinzento escuro. Mas as previsões para a tarde estava boas. Às 11h, o sol apareceu para um dia bem azul. Tudo normal.

    No centro da vila aluguei uma prancha e deixámos-nos enganar pelo tipo da loja que conseguiu nos convencer a apanhar um táxi por 140 reais ida e volta até a praia da Engenhoca. Uma bela fortuna para aqui. Segundo ele era o preço tabelado e como já era tarde aceitámos. O pior é que passado dois minutos ele disse que afinal não havia táxi mas que ele mesmo nos podia levar pelo mesmo preço...

    Para chegar à Engenhoca, temos que fazer uma pequena trilha pela mata Atlântica até chegar a uma praia paradisíaca e com pouca gente.
    As ondas não estavam incríveis, mas deu para aproveitar a tarde toda.
    Antes de jantar, fui só com o Valentim ver o por do sol no Mirante a beber uma Cacauroska (caipirinha servida no fruto do cacau) e ouvir música ao vivo.
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  • Boipeba

    January 21, 2022 in Brazil ⋅ ☀️ 30 °C

    Deu para aproveitar a praia da Tiririca de manhã. Com maré baixa tem várias piscinas naturais, com água transparente e peixes coloridos.

    A Alice queria ir almoçar ao árabe, mas achei mais consciente irmos primeiro ver os bilhetes de autocarro. A ideia era ela seguir para Salvador, o filho fazia um pequeno percurso até Camamu e seguia para outro lugar com amigos e nós íamos sair em Valença, para apanhar um barco para a ilha de Boipeba.

    Quando chegámos à rodoviária, o autocarro saía passado 15 min, por isso não tivemos tempo para almoçar.
    O que a Alice não estava a contar, e nós muito menos, é que o autocarro parava em todas as vilas e aldeias, fazendo desvios da rota. Quando nos apercebemos que não íamos chegar a tempo do último barco em Valença que saía as 17h tivemos que ver alternativas.

    Várias pessoas do autocarro deram sugestões, e acabámos por sair mais cedo, no cais da Graciosa. Eram 16h30, estava um barco a sair mas infelizmente estava cheio. O próximo, e último, era às 18h. Connosco vinha uma argentina, vendedora de colares que ainda tentou de tudo para entrar nesse barco, a dizer que era muito magrinha e cabia em qualquer cantinho.

    Acabámos por apanhar o barco na melhor hora, com um por do sol incrível. Aliás como estávamos em movimento vimos o sol a pôr-se várias vezes. O percurso de barco é de 40 minutos descendo o rio com pântanos dos dois lados até chegar à ilha de Boipeba.

    Já na ilha o caminho para chegar à pousada era pelo meio da mata. Umas casinhas de madeira no meio da vegetação, bem mais alta do que as casas, tornando o lugar bem misterioso.
    Para ir até a vila jantar o Ronaldo, paulista sono da pousada, teve que nos acompanhar de lanterna na mão. A fome era tanta que antes de jantar fomos comer uma tapioca e um pastel na praça principal.
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  • Quinta do Caju

    January 22, 2022 in Brazil ⋅ ⛅ 30 °C

    Não sei o que comi ontem que me fez mal, mas passei muito mal a noite com dor de barriga e diarreia. Hoje não tinha forças para me levantar e acabámos por ficar o dia todo na pousada, deitada na cama de rede no meio da selva, a ouvir e ver uma diversidade de aves e outros animais que nunca se calam.

    O meu maior amigo foi a Gatorade, uma bebida energética que recomendaram ao Valentim na farmácia...

    Ao final do dia fiz um esforço para ir até a praia e ver o pôr do sol. Mas as nuvens estragaram a festa. Com a fraqueza voltei logo para casa. O Valentim teve que ir jantar sozinho. Espero amanhã já estar boa.
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  • Moreré

    January 23, 2022 in Brazil ⋅ ⛅ 28 °C

    Queríamos ter ficado mais uma noite mas o Ronaldo disse que ia fechar a pousada para ir à pesca.

    Na realidade também queríamos conhecer o outro lado da ilha, onde o único transporte é o trator público ou quadriciclos. Com o calor e as mochilas o mais fácil foi ir de quadriciclo. Deixámos as malas no camping BobMari e fomos passear pelas praias quase desertas de Moreré e Cueira. Devido ao recife e à maré baixa foi possivel ver as piscinas naturais.

    Tínhamos agendado um mergulho às 13h30. Fomos mergulhar com o Monkey, um argentino que decidiu vir morar para cá.

    Era suposto ser um mergulho bem tranquilo a 7m de profundidade, no máximo. Íamos percorrer a lateral exterior do recife. Mas até agora considero o pior mergulho que já fizemos. Em primeiro lugar porque parecia uma corrida contra o tempo, não dava para parar e admirar os peixes porque o nosso guia já tinha ido. Em segundo lugar parte do mergulho tinha uma visibilidade tão má que mal conseguia ver o nosso guia, apesar de estar colado a ele. Parecia que a qualquer momento podíamos nos perder e mesmo assim ele ia muito rápido. Eu nem sabia ler o barómetro porque estava com as medidas americanas e o nosso instrutor também se esqueceu de nos explicar.

    É sempre bom mergulhar, apesar de tudo vimos muitos peixes e uma mututuca venenosa.

    Com isso tudo almoçámos já perto das 17h, uma deliciosa moqueca de polvo no restaurante Paraíso, mesmo em cima da praia.

    À noite o centro da vila anima-se com uma roda de samba na varanda de um nativo, já todos bem alegres. O único sítio animado de Moreré. Moreré é um lugar bem tranquilo, bem puro, sem grandes infraestruturas, onde muita gente vem só para estar em paz com a natureza e fumar a sua erva. Encontrámos muitos veganos e até um crudivegano, que não come nada processado, como o Yuri do mergulho.

    Fizemos amizade com um casal que fez o batismo de mergulho e combinámos fazer um tour guiado amanhã com eles.
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  • Castelhanos

    January 24, 2022 in Brazil ⋅ ⛅ 29 °C

    Tomámos um pequeno almoço vegan no Cafe Vegan mesmo em cima da praia. Até pão de queijo vegan tinha!

    Os nossos novos amigos, o Edson e a Laila, já tinham marcado um guia para fazer uma trilha até à praia dos Castelhanos. É preciso guia, porque o percurso é no meio do mangue, tipo pântano, e temos que atravessar um rio de barco.

    Tínhamos combinado as 9h45 no nosso camping. Como eles não apareceram seguimos para o centro de Morere. Lá também não estava ninguém. Já eram quase 10h30 quando eles apareceram. Pelos vistos a pontualidade não é o forte deles. O guia continuava desaparecido.

    Pela descrição que fizemos do guia, ficámos a saber onde ele morava e o Edson foi bater na casa dele. A noite anterior deve ter sido bem dura e a resposta dele foi que ele pensava que era no dia seguinte e que hoje não iria fazer nenhuma trilha.

    Quem ficou a ganhar foi outro guia, o Eric, que passou por nós e já ia fazer o mesmo percurso com outro grupo. Foi só nos juntarmos a eles. Depois de atravessar a praia de Baiema, fizemos mais 1.5km no meio da mata onde 2 barquinhos esperavam por nós para descer o rio e atracar mais abaixo na praia dos Castelhanos, possivelmente a praia mais bonita da ilha. O nome da praia deve-se ao nome de um navio português afundado nessa praia, que naufragou e quem sobreviveu foi morto, frito e comido pelos indígenas.

    Na volta em vez de ir pela mata, entrámos pelo manguezal. A maré já estava a subir por isso, a primeira parte do caminho foi com água nos pés.
    Jantámos no Padamor, um restaurante vegan e vegetariano, com o Edson e a Laila. Aliás os dois eram vegan. Na volta ao camping, a Laila tinha trazido um pito (cigarro com erva) para a despedida.
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  • Viagem para Salvador

    January 25, 2022 in Brazil ⋅ ⛅ 28 °C

    Pensei que ia ser uma viagem curta mas acabou por demorar o dia todo.
    As 7h30 da manhã estávamos de pé a fazer as malas e o check-out.
    Ainda tínhamos que tomar o pequeno almoço para seguir de lancha até Valença. Lancha que afinal foi cancelada, provavelmente por falta de passageiros, o que mudou os planos todos.

    Agora tínhamos que atravessar a ilha para apanhar uma lancha do outro lado. Para atravessar a ilha existem dois transportes, o trator e os quadriciclos. O problema é que o trator só sai quando tiver um mínimo de 8 pessoas. Ficámos quase 30 minutos à espera, só que quem chegava para o trator era abordado pelos quadriciclos que custam o dobro do preço mas não tem tempo de espera.

    De manhã o fluxo não é no sentido que queríamos ir, ou seja, acabámos por desistir e apanhar um quadriciclo. Como o quadriciclo não pode entrar na vila, ainda temos uma boa caminhada até a lancha. Mais uma hora à espera da lancha que chega ao Cais da Graciosa onde nos espera um autocarro que nos leva até Valença.

    Para Salvador ainda faltava apanhar o autocarro até Bom Despacho e o ferry com uma travessia de mais de 1h. Quando chegámos ao apartamento já o sol se tinha posto...

    A Alice veio nos apanhar para jantarmos o famoso acarajé. Um bolinho de feijão frito cortado ao meio como se fosse uma sandes, dentro colocam Vatapá, picante, camarão para quem quiser e uma salada de tomate picado.
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  • Pelourinho

    January 26, 2022 in Brazil ⋅ 🌧 28 °C

    Pela manhã fomos caminhar pela orla da Barra, junto ao mar até ao Morro do Cristo. Todas as praias, apesar de serem urbanas, são lindas, com água transparente a convidar para um mergulho.

    A meio caminho, visitámos o forte de Santo António da Barra. Construído no século XVII, foi o segundo em todo o continente americano. Auxiliava todo o tráfego de escravos, madeira, açúcar, tabaco e outros para alimentar o mercado europeu. O museu é muito interessante para perceber a história de Salvador e principalmente a Bahia de todos os Santos.

    À tarde fomos dar um volta ao centro, no Pelourinho, com a Alice, subindo pelo elevador Lacerda. Às quartas, os museus não são pagos. Aproveitámos para visitar a Casa do Carnaval, com alguns dos mais famosos fatos usados pelos blocos, e a Casa Museu do Jorge Amado, um dos mais famosos escritores brasileiro.
    O centro é cheio de cores, vida, música e igrejas. Algumas igrejas estão inacabadas, apenas têm uma torre para não terem que pagar o imposto de finalização da obra existente na altura.
    Passámos o final de tarde e o jantar na esplanada do Bistro Cuco a ouvir um concerto na rua organizado por vários restaurantes ali à volta.
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  • Casa da Musica da Bahia

    January 27, 2022 in Brazil ⋅ ☁️ 29 °C

    Hoje passámos o dia na Casa da Música da Bahia e na realidade podíamos passar muito mais dias. Um museu interativo, onde a cada sala, cada canto, cada um pode escolher o que quer ver e ouvir.

    O primeiro andar, fala da história da música de cada bairro de Salvador. São mais de 10h de documentários. É claro que apenas deu para ver 4 dos mais de 40 em exibição.

    O Curuzu, o bairro com mais negros de Salvador. Onde foi fundada, o Ile Aiye, o primeiro bloco afro do Brasil, uma das expressões culturais do Carnaval de Salvador.

    A Boca do Rio, que na década de 1970 tinha uma praia visitada por muitos artistas baianos, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, Novos Baianos. Esta ficou conhecida como Praia dos Artistas e atraiu muitos hippies.

    A Baixa dos Sapateiros e Saúde ficou conhecido graças à Carmen Miranda, que mostrou um pouco ao mundo do que era a cultura baiana.

    No segundo andar, tem várias salas com diferentes temas e no último andar tem karaoke e salas de mistura, que na realidade podes escolher qual dos instrumentos e/ou voz queres ouvir. És um autêntico DJ.

    Já ao final da tarde, fomos visitar a Igreja de São Francisco, uma das Sete Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo, quase toda coberta de ouro ao estilo barroco, com azulejos azul e branco a complementar.

    Jantámos na casa da Alice com os pais dela que já não via há mais de 20 anos.
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  • Brasília

    January 28, 2022 in Brazil ⋅ ☁️ 24 °C

    Mal chegámos a Brasília fomos ter com o Elon, que nos fez um tour turístico antes do almoço à beira rio.

    A maior curiosidade de Brasília, é que tem apenas 65 anos de idade. Foi projetada e construída em 3 anos, a pedido do presidente Juscelino Kubitschek, movendo a capital do Rio de Janeiro para Brasília, trazendo muita gente para o interior do Brasil - este era um dos grandes objetivos.

    Brasília é um estado que antes era uma (ou várias) fazendas de Goiás, estado vizinho.

    A cidade foi milimetricamente desenhada com base num avião. Tudo é simétrico e por sectores, por exemplo, sector hoteleira, sector hospitalar, residencial, etc.. As ruas são números e é preciso ter cuidado porque os mesmos números existem na asa norte e na asa sul. Fomos visitar o memorando do ex-presidente JK e a torre de TV para ter uma visão panorâmica da cidade.
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  • Chácara & Aniversários

    January 30, 2022 in Brazil ⋅ ☁️ 24 °C

    Chácara é o nome que aqui dão a uma quinta. Claro que a primeira vez que ouvi, pensei que estavam a falar dos chakras, da cultura hindu.

    Passámos estes dois dias a festejar.
    No sábado, fomos festejar os anos do pai do Elon, nordestino de gema. Uma curiosidade sobre o pai do Elon é que ele é negro mas a mãe dele sempre lhe disse para nunca casar com uma negra... Outros tempos. Ele conseguiu, encontrou uma branquinha de olhos azuis. Ainda são muito cúmplices.

    Almoçámos por Brasília com música ao vivo e jantámos na chácara deles. Ficámos a dormir lá por ser um pouco longe de Brasília. À volta da casa tem, manga, abacate, coco, acerola, umbu, amoras, tudo cresce facilmente. Para além disso, têm galinhas, patos e vacas. Até fazem queijo e manteiga. Não falta nada.

    Hoje, domingo, festejamos os anos de um dos irmãos na chácara do outro irmão.
    Uns ficam na conversa, outros ficam a jogar buraco ou outros jogos que nem conheço...
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  • Alto Paraíso

    January 31, 2022 in Brazil ⋅ 🌧 22 °C

    A Thaís decidiu aceitar o convite que lhe fizemos e veio connosco para a Chapada dos Veadeiros, deixando o Elon e o Miguel em Brasília.

    Já saímos tarde de Brasília e tínhamos 3h de viagem. À chegada a Alto Paraíso, por volta da 15h30, sugeri ir à cachoeira da Louquinha, segundo vi era uma cachoeira lindíssima com água completamente transparente.
    Infelizmente depois de alguns km de terra batida batemos com o nariz na porta. Estava fechado por causa das chuvas. Só valeu a pena, pelo tucano que nos veio dar as boas vindas.

    Fomos então fazer o check-in na pousada. Mal chegámos disseram que a única coisa que ainda podíamos fazer era ir a cachoeira dos Cristais só para ter um gostinho da Chapada.

    Jantámos no Randevu, numa esplanada com vista sobre a rua principal. Uma rua cheia de restaurantes, lojas de cristais, com ET verdes na porta das lojas e alguns bichos grilos. Segundo os brasilienses, os bichos grilos são pessoas que aproveitam a vida de uma forma diferente, provavelmente não tem trabalho e vão vivendo o dia a dia, com artesanato, por exemplo, gostam de fumar erva e muitas vezes têm rastas.

    Os ETs na cidade representam um pouco a energia e crença de muita gente nesta zona, que estando no paralelo 14, tal como o Machu Picchu, tem mais propensão para ter contactos extraterrestres. No ano 2000, quando muita gente pensava que o mundo ia acabar, instalaram-se aqui várias famílias acreditando que teriam mais probabilidade de sobreviver.
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  • Couros

    February 1, 2022 in Brazil ⋅ ☁️ 24 °C

    Encontrámos nos com a guia, Tais, por volta das 9h30, já com um atraso de meia hora.
    Só para chegar até ao início da trilha dos Couros foi 1h30 de carro, principalmente porque a estrada é toda de terra batida.

    Apesar de ser de terra batida, ela foi toda refeita e alargada. Não por causa da trilha, mas sim porque os campos de soja crescem a cada dia e camiões (ou caminhões como eles dizem) cheios de soja circulam nessa estrada. Logo no início da estrada de terra, um desses camiões tinha tombado, deixando toda a soja no chão. Ao final do dia quando passamos por lá ainda estavam a tentar recuperar os grãos caídos no chão. O cheiro da soja não é nada agradável.

    Toda a trilha em torno do rio couros e das suas magníficas cascatas é de uma imponência e de uma força surreal. A nossa guia com toda a calma explicou-nos o nome das plantas, um pouco da história desta zona enquanto ajudava a Thais nas subidas e descidas. Ela está em recuperação de uma lesão no tornozelo e não está habituada a trilhas. Esta não foi a melhor escolha para ela, ainda assim aguentou-se muito bem e com calma chegámos a quase todo o lado.

    O nome rio couros deve-se a todo o couro, principalmente de veado que era lavado neste rio. Na altura, avistavam-se grupos de mais de 30 veados, hoje em dia se virmos um é com muita sorte.
    Uma das curiosidade que a Taís nos contou, é que essa planta na foto com a flor roxa chama-se tocha de garimpeiro. Ela tem muito óleo bem no meio das folhas e quando os Garimpeiros saíam das minas já de noite cortavam a planta, acendiam-na e usavam como tocha. Devido ao óleo não se apagava.

    De regresso a Alto Paraíso, fomos comprar alguns cristais muito abundante nesta região e fomos directos para o jacuzzi da pousada.

    Ainda tivemos a sorte de ver umas araras azus e amarelas a voar, elas andam sempre aos pares.

    O jacuzzi é ao ar livre num cantinho secreto do jardim, onde deu para relaxar a ver as estrelas, ouvir música e claro, beber uma cerveja.
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  • Vale Da Lua

    February 2, 2022 in Brazil ⋅ ⛅ 27 °C

    Hoje é dia 02.02.22. A soma deste número é 8, número que representa o infinito. Segundo a numerologia e os místicos, hoje é um dia importante porque se abre um portal para uma nova era e é um bom momento para pedir os nossos desejos.

    No Vale da Lua, provavelmente ainda estamos mais em contacto com o universo.
    É um lugar bem peculiar. Se a lua tivesse água, provavelmente, este seria o aspecto dela. Poças e quedas de água transparentes no meio de canions quase brancos.

    Depois de dar um mergulho, começou a chover torrencialmente, mas deu para nos abrigarmos debaixo do toldo onde 2 salva vidas passam o dia. Mal a chuva parou regressámos ao carro. A meio caminho ouvimos um estrondo e quando olhámos para trás uma nova cachoeira enorme tinha se formado no topo da montanha. Pelos vistos é o que chamam de tromba de água. Muito perigoso nesta época das chuvas.

    Depois de comer qualquer coisa em São Jorge, fomos às termas do Rio Vermelho. Umas piscinas de água quente e transparentes no meio da floresta. O mais agradável de poder vir a estes lugar em época baixa é que não tem ninguém. Estivemos a maior parte do tempo sozinhos a relaxar.

    Jantámos bem cedo na risotaria Santo Cerrado em São Jorge para ver o pôr do sol.
    Esta vila, ainda com estradas de terra batida, parece ter uns cantinhos bem agradáveis, com um músico ou outro nos bares, mas com época baixa e pandemia parece tudo meio deserto.

    Durante o dia tivemos direito a um arco íris e no regresso a casa, durante o caminho todo, aproximadamente, 20 min, fomos iluminados por relâmpagos.
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  • Sertão Zen

    February 3, 2022 in Brazil ⋅ ⛅ 24 °C

    A Thaís apanhou o autocarro às 4h da manhã para Brasília. Supostamente ontem íamos fazer um percurso com a guia mas como a Thaís já tinha dito que não ia conseguir, mudámos o plano. Pedimos à guia para adiar o percurso um dia.
    Ela só aceitou se começasse as 7h da manhã.

    Assim foi, às 7h30 apanhámos a guia. O objectivo era fazer duas trilhas relativamente fáceis de 6 a 7km. Quando nos encontrámos com ela, desafiou-nos para fazer a trilha mais difícil nas redondezas, 18km até à cachoeira do Sertão Zen. O Valentim que quer sempre fazer as coisas mais difíceis, disse logo que sim.

    Na realidade, só a primeira parte é que era mais desafiante por ser uma subida acentuada. O resto do percurso era bem plano. A meio do percurso, parámos numa fonte natural, que chamam olho de água. É um buraco no meio do planalto onde nasce uma água completamente transparente e pura.
    Tomámos banho em várias cachoeiras, até chegar ao mirante (miradouro) do Sertão Zen, com uma vista incrível sobre a maior cachoeira do percurso e todo o vale.

    A vegetação do percurso é o que chamam aqui de cerrado. Na realidade é uma vegetação muito dispersa com poucas árvores e muito capim, sendo o capim, ervas bastante robustas. Ao caminhar pelo capim de calções as folhas vão acariciando a pele... Ao início, parece apenas uma carícia mas ao final de 9km já parecem arranhões.
    Só de pensar que tinha mais 9km, para regressar já estava a sofrer.

    Aliás não aguentei e a única forma de continuar, foi improvisar umas calças com as toalhas da decathlon. Assim com a nova moda verão 22 da Chapada, consegui fazer o caminho de regresso. As 16h, estávamos na pousada, um pouco cansados.
    Fomos relaxar uma hora no jacuzzi e ainda fomos fazer uma hora de massagem.

    Jantámos no restaurante Vegan, Cravo & Canela e antes das 22h estávamos na cama, completamente KO.
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  • Almécegas

    February 4, 2022 in Brazil ⋅ ⛅ 27 °C

    Hoje tínhamos que regressar a Brasília para apanhar o voo às 21h para Manaus. Se acordássemos cedo daria para visitar a cachoeira dos Segredos. Segredos, porque na altura da exploração dos cristais, dois irmão traziam sempre cristais fora do normal. Todos queriam saber de onde vinham os cristais, mas a resposta dos irmãos era sempre a mesma. "É segredo".

    Antes de dormir, li que essa cachoeira não era fácil de aceder em períodos de chuva como este e com falta de informação não quis arriscar.

    Acabámos por ir à Almécegas l, uma das grandes atracções da Chapada. É mais uma cascata incrível, um lugar especial. Mas com o preço que pediram à entrada, tive vontade de dar meia volta.
    70 reais por pessoa, ou seja 11 euros, para caminhar 20 min e ver um cascata incrível? Está a ficar caro respirar ar puro.

    O pior disso, foi que quando o Valentim foi à procura da gopro e não a encontrou... Lembrei-me que a última vez que a vi foi numa pedra no Sertão Zen a 6km a pé de Alto Paraíso. Que raiva! Só me apetecia dizer asneiras.

    Quando consegui ter wi-fi, enviei uma mensagem à guia a pedir ajuda. Se tivermos a sorte de alguém passar exatamente na mesma pedra e nenhuma tromba de água passar por ali, basicamente se os astros se alinharem em Saturno, pode ser que a gopro apareça.

    Ela mandou uma mensagem no grupo dos guias e a resposta de um deles foi:
    - Estou a fazer um treino de corrida e hoje tenho que fazer mais ou menos esses km, por isso vou lá.

    Mas como é que consegues dar as coordenadas do último sitio onde tomámos banho de rio, onde me lembrava ter usado a gopro, se consegues tomar banho ao longo de várias centenas de metros e quase tudo se parece igual? Mandei as fotos tiradas no local, mandei as coordenadas aproximadas do meu relógio e ficamos a rezar.

    Acho que a probabilidade é bastante baixa mas a esperança é a última a morrer. Já ter aparecido alguém foi incrível.

    De regresso a Brasília, só tivemos tempo de beber um copo com o Elon e Thais e seguir diretos para o aeroporto.

    Chegámos a Manaus já bem tarde, mas a Taís ainda não deu sinal de vida.
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  • Itapiranga

    February 5, 2022 in Brazil ⋅ 🌧 28 °C

    Aqui é uma hora a menos do que em Brasília e apesar de chegar ao hotel perto da 1h da manhã, tínhamos que estar prontos a 7h30. O Eri vinhas nos buscar para seguir para Amazónia.

    Eram quase 340km, em que a primeira parte da estrada, quase dois terços, tinha tantos buracos que não sei como a maioria dos carros passa. A viagem fica pouco confortável, nem deu para descansar.

    Acabámos por ficar na conversa com Eri, licenciado em publicidade e ciências sociais, adora cozinhar e vai ser nosso guia e cozinheiro durante esta aventura. Já perto do destino vimos uma cobra no meio da estrada com quase 2m, quando passamos ela virou-se para o carro e meteu a língua de fora. Nem consegui abrir a janela para tirar uma foto. O Eri parou o carro para tirar uma foto mas ela fugiu logo. Bem vindos à Amazónia.

    Já passava das 14h, quando chegámos a vila no Ipiranga, onde nos aguardava, um barco de madeira com dois andares, o Jessé (CJ para mim) como capitão, o António como ajudante e o Ismael, o filho de 5 anos do capitão. O Eri trazia um carro telecomando que fez a alegria da criança.

    Depois de carregar as malas e a comida para os próximos 8 dias seguimos para Este.
    O capitão tinha trazido para experimentarmos Pé de Moleque (mandioca amassada com castanha do Brasil e cozido na folha da bananeira). Trouxe também da quinta dele Tucumã, uma fruta bem diferente do habitual e um pouco gordurosa.

    Andámos algumas horas pelo rio, sem ver quase ninguém, apenas tínhamos golfinhos e aves para nós fazer companhia.
    O nosso destino era uma pequena prainha, onde iríamos passar a noite nas camas de rede instaladas na parte de cima do barco.
    Depois de explorar a praia e tomar um banho de rio, fomos ver um incrível pôr do sol a andar de Kayak.

    Jantámos bem cedo, mal o dia escureceu. Um caldo de peixe com farinha de mandioca, que chamam de caldeirada. Como prato principal, arroz, feijão, farofa e um peixe, o tambaqui de rio, frito. Acho que deve ter sido o melhor peixe que já comi no Brasil.

    Antes das 20h já estava tudo a dormir, com o barulho dos sapos e da água a bater no barco.

    A gopro ainda não apareceu.
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  • Lagoa dos jacarés

    February 7, 2022 in Brazil ⋅ ☁️ 29 °C

    Claro que acordámos bem cedo.
    Ao pequeno almoço, comemos uma tapioca com banana frita, castanha do Brasil, queijo coalho e tucumã. Pelos vistos é uma iguaria que em Manaus as pessoas pagariam 35 reais, estava uma delícia.

    Arrancámos cedo e estivemos quase todo o dia a navegar rio Jatapu acima. Chegámos já bem tarde à lagoa, chamada lagoa dos jacarés, onde íamos passar a noite. Segundo o capitão, atracamos o barco perto do local onde mora um jacaré de mais de 2m.

    Já tínhamos vistos muitos golfinhos, mas foi apenas na entrada na lagoa que conseguimos ver um boto, um golfinho completamente cor de rosa que vive nestes rios. Sem perder tempo, porque o sol estava quase a pôr-se, fui com o Valentim dar uma volta de Kayak, no meio dos golfinhos e dos botos. Mais uma vez estávamos completamente sós.

    Jantámos um tambaqui grelhado, estava perfeitamente cozinhado com mais algumas especiarias do que em Portugal, mas ao nível do peixe grelhado em Portugal. Depois do jantar, o capitão viu ao longe os olhos de um jacaré a reflectir a luz da lanterna. Fui logo desafiar o Eri e o Valentim que estavam na parte de baixo do barco. Saímos os 3 de Kayak para tentar ver o jacaré de mais perto.
    Andamos de um lado para o outro com as lanternas sem sucesso. Provavelmente porque em vez de ficar em silêncio não parávamos de rir.

    Aqui para além do som dos pássaros e dos sapos, também se ouvem os botos. Cada vez que vêm à superfície fazem barulho com a respiração. Esta noite também ouvimos os macacos que emitem um som rouco que se ouve a kms de distância. Cantaram a noite toda.
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  • Tatuoca - Jatapu

    February 7, 2022 in Brazil ⋅ ☁️ 29 °C

    Depois de mais uma hora de viagem chegámos ao destino final, onde íamos ficar um tempo antes de regressar. Eram quase 14h. Aqui também conseguimos apreciar os golfinhos e os botos.

    Fomos fazer um trekking no meio da floresta com o guia, o capitão e o puto Ismael. Confesso que quando vi o capitão com uma arma tipo espingarda e um facalhão, não fiquei muito à vontade. Mas pelo que ele diz era mais para assustar as onças se alguma delas aparecesse.

    No percurso disseram nos o nome das árvores que íamos encontrando tal como as suas propriedades. Vimos macacos nas árvores, borboletas azuis do tamanho da minha mão e uma aranha gigante que saltou do caminho, uma golia ou mais conhecida como caranguejeira, por ser quase do tamanho de um caranguejo.

    De regresso ao barco, já todos tinham tentado pescar sem sucesso, mas o Valentim achou que ia conseguir. Esteve quase uma hora a lançar a cana e a puxar o anzol sem sucesso algum. Estão a tentar enganar os peixes com um peixe de metal. Não sei qual a probabilidade de dar certo.
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  • Comunidade

    February 8, 2022 in Brazil ⋅ 🌧 28 °C

    Acordei durante a noite a ouvir muitos barulhos à volta do barco, imaginei que fossem peixes. Quando ouvi o motor do barco e vi o barco a andar imaginei que o barco se tinha soltado e com a corrente que era bem forte seguiu caminho. Foi isso mesmo que aconteceu. A sorte foi que o capitão acordou e percebeu que algo estava errado.

    A manhã foi passada no Kayak rio abaixo a acompanhar o barco que em vez de ligar o motor seguia com a corrente. Atracamos o barco junto a uma comunidade, onde moram quase 300 pessoas. Quase toda a família do capitão mora lá.

    Fomos ver um jogo de futebol do Palmeiras para o mundial de clubes na casa do irmão do capitão. Também passámos na casa da irmã onde provámos um fruto de uma palmeira que cozida sabia a batata doce.

    As casas eram de madeira apenas com uma sala grande e uma cozinha. Pelo que me parece, à noite eles montam as camas de rede na sala e vira quarto. Nas traseiras da casa da irmã um banco de madeira e uma cama de rede com vista privilegiada sobre o rio foi o palco de muitas histórias que o cunhado nos contou.

    Desde as onças que o atacaram e ele teve que matar com uma pistola, os negócios de madeira e reconhecimento dos terrenos, a morte do irmão pelo cunhado, negócios de gado que estão a ficar mais rentáveis que a madeira, viveiros de pirarucu, uma chinesa que vinha fazer negócios de milhões com madeira, os verões passados a pescar quando o rio fica com muito menos água dando origem a várias praias, enfim...

    Ele adorava estar aí e não queria ir a cidade por nada. Pelos vistos só ia obrigado, nos dias de eleições. O governo paga o transporte a toda gente para ir votar à cidade em vez de trazer as urnas à comunidades.
    Quando o calor diminui o Valentim foi jogar a bola e eu fiquei na conversa com o António e os irmãos do capitão.
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  • Amazónia Roots

    February 9, 2022 in Brazil ⋅ ⛅ 29 °C

    O sol apareceu depois de uma carga de água. Já tínhamos tudo pronto para pernoitar na floresta.

    Seguimos no bote de madeira. Nós, as malas, o Eri e o capitão. Tínhamos 2h de caminho no bote para atravessar o pântano e subir rio acima no meio da vegetação cada vez mais serrada. No meio do pântano as águas parecem um espelho perfeito da vegetação ao redor, do céu e das nuvens. Quase que é difícil dizer onde acaba o reflexo e onde começa a vegetação. Na subida do rio a vegetação fica tão densa que temos que nos baixar de vez em quando para não levar com ramos ou trocos na cara.
    Quando já não dava para subir mais, atracamos o barco, deixámos as malas protegidas e seguimos a pé para ver a cachoeira. Eram apenas 3 km, sem caminho definido, o capitão ia à frente com a sua espingarda e a catana. A cada passo que dava tinha que dar várias tacadas de catana para abrir caminho, tornado a caminhada lenta. "Quem corta é o aço, mas quem manda é o braço". O objetivo era abrir caminho para levar o filho Ismael.

    A humidade era tão elevada que apesar de caminhar lentamente estava completamente encharcada em suor. Demorámos quase 2h para chegar à cachoeira. Um cenário insólito, só para nós, porque ninguém chega até aqui. Uma praia de areia branca com vista para uma queda de água com vegetação serrada à volta, mas sempre de olho na espingarda. O capitão ainda viu uma lontra, mas fugiu logo.

    A volta foi bem mais curta, (1h15min) o caminho ja estava talhado e a fome apertava. Tinha ficado tudo no barco.

    Descemos uns 200m com o barco, antes de montar o nosso acampamento. Mal chegámos começou a cair uma chuva torrencial, tivemos apenas tempo para colocar o nosso plástico de protecção para a chuva, para os meninos ficarem abrigados, enquanto o Eri e o capitão montavam as nossas camas de rede. Cada um deles foi depois montar a sua protecção para a chuva e a sua cama de rede, já completamente encharcados. O capitão ainda se tentava proteger com um chapéu de chuva que tinha trazido, mas que acabou por emprestar ao Valentim que se estava a queixar que estava a apanhar um pouco de chuva apesar da nossa tendinha.

    Juntámos nos todos debaixo do nosso toldo para um almoço bem tardio. Antes de cada um se deitar na sua cama de rede à espera que a chuva desse uma trégua ou que a noite caísse. Ficámos a ver a chuva a cair no rio e a ouvir o som da floresta. Não posso dizer que estou completamente à vontade. Parte de mim vai relembrando todas as histórias que ja ouvi, imaginando coisas. O grito de um pássaro pode parecer o som de uma onça, apesar de nem saber qual o som que ela faz. Mas o nosso imaginário está sempre a trabalhar.

    Na realidade às 16h estava tão escuro que parecia que o sol já se tinha posto.
    Quando a chuva parou, o capitão acendeu uma grande fogueira com toda a madeira de uma antiga casa que aqui estava. Aqui morava um senhor que trabalhava na madeira e que construiu uma casa de madeira onde vivia com a família toda.
    O objectivo principal da fogueira é durar a noite toda e afastar as onças. Hoje até bebi pouca água para não ter que me levantar de noite.
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  • Jabuti

    February 10, 2022 in Brazil ⋅ 🌧 30 °C

    A noite na selva foi complicada.

    Às onze da noite acordei com um tiro de uma caçadeira muito perto do nosso acampamento. Estava num sono profundo, acordei com o meu coração a disparar. Já acordada comecei a ouvir vozes ao longe e passado pouco tempo comecei a ver luzes. Uma canoa com duas pessoas a apontar luzes viram-nos e começaram a aproximar-se. O meu receio de estar num território que não era o nosso, ou uma bala perdida dos caçadores, achei que o melhor era fingir que estava a dormir.

    Tinha aprendido que os caçadores noturnos encandeavam as presas para as poder matar mais facilmente, porque todos os olhos brilham quando se aponta uma luz.
    Fiquei calada, um pouco apavorada, só descansei quando eles pararam a canoa ao lado do capitão. Chamaram no pelo nome e ficaram 2min na conversa antes de seguir caminho debaixo do luar. A noite foi longa, acordei várias vezes a pensar na onça e o Valentim com medo dos macacos.

    Ao amanhecer, o capitão levantou-se para reacender a fogueira ainda em brasas. Mas outra chuva torrencial veio atrapalhar os seus planos. Como eles têm sempre uma solução para tudo foi buscar o guarda chuva e ficou a proteger o fogo até a chuva o parar. Ainda deu para fazer tostas ao pequeno almoço.

    Depois de desmontar o acampamento descemos o rio na nossa canoa, desta vez com o motor desligado até chegar ao lago de espelhos. De manhã o som da floresta é mais intenso, com as aves que nunca se calam, os macacos com os seus gritos roucos e muitos sons que nem percebemos bem. Provavelmente muitos animais ficam só escondidos à espera que passássemos.

    De volta ao nosso barco, o nosso porto seguro, sentíamos nos felizes pela experiência, mas ainda mais felizes por estar de novo no barco, sem os medos todos que assombraram a nossa noite.

    O barco foi descendo o rio com a força da corrente até às duas da tarde quando bifurcamos num dos braços do rio para atracar o barco onde íamos passar a noite. Antes de dar um passeio de Kayak ao final do dia, fomos fazer uma caminhada com o objectivo de encontrar bichos, como por exemplo um jabuti - é parecido com uma tartaruga mas mora nuns buracos debaixo das árvores.
    Não chegámos a ver qualquer animal, possivelmente porque o Ismael, com os seus 5 anos, não parava de falar. Vimos apenas umas pegadas de viado e outras de antas. O solo e a vegetação aqui é bem diferente. O solo parece de areia, por isso quando caminhávamos na areia o capitão ia marcando o caminho com um pau, para podermos regressar pelo mesmo sítio.

    Hoje jantámos pirarucu, o bacalhau da Amazónia.
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  • Rei Mingau

    February 11, 2022 in Brazil ⋅ 🌧 29 °C

    Acordámos de manhã, o capitão tinha encontrado um jacaré bebé para dentro do barco. O bichinho coitado cheio de medo ficou imóvel dentro do barco até ser libertado para a água.
    Passámos o dia a viajar de barco, a ler, jogar jogos com o Rei Mingau aka Ismael (só come mingau, ou seja, leite com bolachas), para chegar já ao final do dia numa prainha de água quente. Fomos andar de Kayak ao pôr do sol e ainda vimos uns macacos a saltar nas árvores.

    Acho que o nosso guia deve estar com algum problema, não deixa de fazer as suas obrigações mas está cada vez mais calado e no cantinho dele. Não deve ser fácil ter uma filha de 2 anos e estar tanto tempo fora sem sequer poder falar com ela.
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  • Back to Manaus

    February 12, 2022 in Brazil ⋅ ⛅ 30 °C

    A noite foi longa. Até agora não tínhamos apanhado mosquitos porque o rio que subimos tem uma água mais ácida e os mosquitos não gostam.
    Mas aqui mal a noite caiu, tivemos que pôr mosquiteiras à volta das camas de rede e fugir para lá. Mesmo assim dava para ouvir os mosquitos do lado de fora da mosquiteira.

    Acordámos cedo como sempre e passado 45 minutos estávamos de volta a Itapiranga, para mais 5h de carro até Manaus. É já aqui ao lado.

    Almoçámos no Tambaqui de Banda. Já não deu para visitar nenhum museu porque estava tudo fechado ou a fechar.
    Encontrámos-nos com o meu pai num bar de cervejas artesanais. Ele já está aqui em Manaus/Amazónia há 5 dias. Decidiu de um dia para o outro que se queria juntar a nós nesta viagem por uns dias.
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